Tive os mais terríveis pesadelos
Não via a luz brilhar
Tudo era um descampado
Como uma rês desgarrada estava
Os prados verdes haviam secado
Só a má sorte campeava
Eu era um barco a deriva
Para mim não havia consolo
Não encontrava lenitivos para a minha dor
Só sentia o acre sabor da infelicidade
Sentia a minha vida arrefecer-se
Era como a história daquele personagem
Sua história parecia ser a minha
Só o sofrer era constante
Eu era parte daquela pantomima
Mas a minha história era real
Não era simples peça teatral
Não era apenas utopia
Eu me via como um renegado
Simplesmente não valia apena viver
A coligem invadia o meu caminho
Eu pisava na areia movidiça
Meus pés afundavam a cada passo
Em pleno deserto me encontrava
O meu presente em pó transformado estava
Eram só lembranças de um sonho remoto
Tudo era um só caos
Jair Santo Galgaro
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