quarta-feira, 17 de junho de 2009

desencanto

Quedei-me a olhar as estrelas não havia brilho se quer
Queria ver a lua
Vi uma nuvem negra
Só algumas centelhas azuis
Sentia o marasmo tocar-me

Quedei-me a olhar as matas
Só ouvia o farfalhar das folhas
Queria ver as folhas vívidas
Mas o tempo as haviam secado

Quedei-me a olhar os vales
Só ouvia o rumorejar das águas
E o som estridente das cascatas
Até à chuva já havia sessado

Quedei-me a olhar os montes
O horizonte parecia invisível
Não encontrava resposta alguma
Parecia haver uma redoma em minha volta

Imaginei então meu rosto lívido no espelho
Onde estarão todas as coisas
Pois eu nada avistava
Nem ouvia o canto dos coiotes

Como um caracol fiquei recolhido
Tudo estava tão deserto
Desprovido do mais simples encanto
Seduzido por aquela solidão

Jair Santo Galgaro

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