E o céu sem estrelas
Só há túmidos relâmpagos e trovões
Os relâmpagos são flechas certeiras
Só ouço o rumorejar das nuvens
As gotas no telhado tamborilam
Aqui estou eu sentado à beira do fogão
Lá fora o farfalhar das folhas
Folhas que caem lentamente
Como pingentes voando pelo ar
Em minha mente vagueiam os pensamentos
Daí começo minha viagem
Viajo por entre a mata
Que está encharcada pela chuva
Os nativos repousam em suas ocas
Os pássaros, todos em silêncio
Fiquei aí parado
Só o silêncio tudo cingia
Daí, fui saindo lentamente
Imaginando o sol surgindo no horizonte
Com seus raios lânguidos
Os nativos caçando ou pescando
Daí parti para a cidade
Sentei-me no banco da praça
Os luzeiros todos acesos
Pareciam querer imitar o sol
As pessoas passavam por aí
Mas ninguém notou a minha presença
E eu só queria viajar
Agora para bem distante
Talvez num cavalo alado
E lá ia eu cortando o espaço
A chuva, relâmpagos e trovões estavam distantes
Aqui o sol brilha
O céu está todo azulado
Os pássaros cantam alegremente
O silêncio também ficou tão longe
Aqui a luz é natural
O brilho penetra pelas janelas
Tudo está em movimento
Aqui eu ouço muitos sons
São os sons mais belos
Eu andava sem parar
E olhava tudo em minha volta
A viagem era tão maravilhosa
Mas eu teria que regressar
Mas tudo ficaria gravado em mim
As mais belas recordações
Então devagar fui despertando
Agora tudo era real
O fogo já não crepitava
O fogão estava frio
O sol surgia no horizonte
Então abri as janelas
Debrucei-me e aí fiquei
Contemplando o novo dia nascer
Jair Santo Galgaro
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