Na água via teu rosto
No silêncio ouvi tua voz
Na brancura do algodão estava presente
Nos mais inóspitos lugares tu estavas
Naquele instante, inértil fiquei
Senti as matas com pena de mim
O torpor invadia meu ser
Desprovido de tudo sentia-me
Eu via o sono da morte
No delírio do lugar torrante
Minha face ruborizante queimava
Era a febre da solidão
Então perguntei a mim mesmo:
--Porque estou aqui?
Mas não tive resposta
Minha mente era um só turbilhão
Olhava fixo o agreste lugar
Pensei no aconchego do lar
Nem a chuva caiu para me consolar
Não desfrutava das magnitudes do dia
Tão tênue senti meu universo
Mas não queria perecer
Havia forças dentro de mim
Numa sobre vida então esperei
Um novo alvorecer
Um novo alimento para minha alma
Toda a bondade dos anjos
O brilho infinito do sol
O nascer de uma nova promessa
Jair Santo Galgaro
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