domingo, 5 de julho de 2009

Mateando

Chia a chaleira sobre o fogão
O amargo eu estou sevando
A cada gole eu vou pensando
Neste chimarrear solito
Fico olhando pela janela
Lá no alto a lua tão bela
Que acho muito bonito

Depois de tomar meu mate
Tem um café de primeira
Porque na lida campeira
Não há muita facilidade
Mas aquele que bom peão
Leva tudo na diversão
Basta ter boa vontade

Vem a ordem do patrão
Eu já estou preparado
Tenho que levar o gado
Lá para outra invernada
De trabalhar não me assusto
Convido o amigo Cusco
E sigo tocando a boiada

A boiada parece entender
Vai seguindo de mansinho
Sem parar pelo caminho
Somente no fim da estrada
O tempo é sempre bem gasto
Sabem que tem melhor pasto
Lá na outra invernada

Ao chegarmos na invernada
A tropa vai se espalhando
Eu e o Cusco cuidando
Tem que sair tudo certo
Fico assobiando tranquilo
Ouvindo o canto do grilo
Mas de olho sempre aberto

Um sonho eu acalento
Estou cansado de vagar
Aqui não posso ficar
Quero ter algo para mim
Aqui vivo de salário
Não gosto deste fadário
E um dia terá fim

Jair Santo Galgaro

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