sexta-feira, 17 de julho de 2009

Ruas

Na escuridão das ruas
Só, eu pelas calçadas friorentas
A densa neblina pairava no ar
Todos pareciam felizes em suas casas

Só eu, não era feliz
Meus passos seguiam sem rumo
Eu não pensava em parar
Havia só o silêncio para desfrutar

Nas guaritas já não havia ninguém
Só a neblina andava jocosa
Senti minha alma mortificando-se
Meus passos para onde vão
A lua não luzia para mim
Então lembrei-me do cálido sol
Mas ele só ilumina o dia
Os portões todos cerrados

Nem os ladrões iam às ruas
Pareciam serem feitas somente para mim
Só a calçada parecia ouvir meu lamento
Eu só esperava o fim daquela tenebrosa madrugada

Só queria ver o alvo amanhecer
Esquecer a negra noite
Reviver minha alma mortificada
Desfrutar os sons mais belos

Ouvir o canto matinal das aves
Ver o sorriso da criança feliz
Esquecer o triste pesadelo
Ver a vida cingindo todo o meu ser

Jair Santo Galgaro

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